Una mica de Barcelona

Una mica: um bocadinho em castelhano.

Em Vicky Cristina Barcelona, Woody Allen descomplica o amor aceitando suas imperfeições e irracionalidades.  Ao comprar a minha passagem para a capital catalã, me vi obrigada a respirar fundo e fazer o mesmo exercício.

Sempre gostei de simetrias e linhas retas. Então pisar em Barcelona com seus azulejos picados e o torto de Gaudí me davam tremeliques de agonia. Não me orgulho, mas para mim, a Sagrada Família não era mais do que o produto de uma criança brincando com areia molhada, tentando em vão, construir um castelo de areia.

Não poderia estar mais enganada. De perto, cada detalhe das fachadas, as cores dos seus azulejos e o formato das colunas, me fizeram perder o fôlego. Precisei estar ali, vendo a luz brincar nos vitrais e imaginando Gaudí brincando com as formas para conseguir ver a beleza naquele lugar.

Depois de entender a Sagrada Família e o motivo de cada detalhe levemente torto a 60°, Barcelona tem outra cor, outro gosto. Precisei experienciar, sentir o gosto de uma paella, caminhar pela praia de Barceloneta, ser hipnotizada pelo cheiro do mercado La Boqueria.

Ouvir artistas de rua se apresentando nas Ramblas, andar até o Park Güell, decifrar a desordem dos azulejos, atravessar triunfalmente o Arco do Triunfo e me encantar com a Casa Milà.

Só depois de fazer tudo isso, e com muita atenção, é que Barcelona se mostra de verdade. Só na hora do embarque de volta, depois de despachar as malas, se sentar com pouco conforto na poltrona e olhar pela janela é que você entende o que o personagem da Casa do Lago disse sobre a luz de Barcelona.

Só depois de respirar fundo você vê o lugar que fez Gaudí se apaixonar e inspirou Woody Allen. Inhala, exhala. Só quando sente saudades do torto é que você começa a ver a cidade.

MELHORES COMIDINHAS DA EUROPA

Não recomendo a leitura desse post se você estiver com fome!

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é comer. E em viagem isso não seria diferente. Aproveito o climinha de novidade para transformar todo pequeno acontecimento em motivo para comer mais. Afinal, se eu consegui achar o caminho sem dificuldades, eu mereço provar aquele docinho.

A cada lugar, eu fazia questão de experimentar de tudo e de, ao final da viagem, eleger meu prato favorito. E aqui vai minha seleção de melhores comidinhas da Europa:

1. Francesinha – Porto, Portugal

Um clássico da culinária portuguesa. A Francesinha é um sanduíche de carne, linguiça, salsicha e presunto, com um cobertorzinho de queijo derretido por cima (em alguns lugares também colocam também um ovo frito). É servida em um prato fundo com um molho apimentado feito a base de tomate, cerveja e vinho do Porto e acompanhada de batatas fritas. Dizem que o molho picante foi criado exatamente para incentivar o consumo de cerveja. Independente do motivo, é incrível!

francesinha
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2. Macaron – Paris, França

Um clássico! A Maison Ladurée que me perdoe, mas o melhor macaron é o de caramelo salgado da Pierre Hermé. A mistura de sabores é incrível e a crocância é única. O preço também é salgadinho, 2€, mas valeu cada cêntimo. Meu segundo favorito é o do chá da Maria Antonieta da Ladurée.

macaron

3. Paella Valenciana e Sangria – Barcelona, Espanha

O prato é feito a base de arroz e legumes. Como não como frutos do mar, preferia a versão Valenciana, que é feita com frango. Provei em um restaurante bem simples da cidade e os donos nos deram de presente uma taça de sangria. A bebida mistura vinho, suco e pedacinhos de frutas. Melhor drinque ever!

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4. Pizza – Roma, Itália

Mais um clássico! Pelas minhas contas provei mais de 12 pedaços de pizza nos meus seis dias em Roma. A massa é bem fina e, diferente do que estamos acostumados, o foco do prato é o molho. Podem ser servidas uma inteira para cada pessoa ou, como na foto, cortadas mais finas e vendidas por peso. Dica: um romano me ensinou que uma boa margerita custa no máximo 6€.

pizza5. Trdelník – Praga, República Tcheca

Um doce tradicional da República Tcheca e que virou minha sobremesa favorita. O Trdelník (se pronuncia tridelnique) é uma uma rosca doce, com uma massa que lembra um pretzel. É assado na brasa e depois polvilhado em açúcar e canela. No verão, você pode comê-lo com sorvete e no inverno, quando eu fui, a opção era o recheio de nutella.

trdlenik

6. Bolo do Mozart – Viena, Áustria

Visitei Viena durante o meu mochilão e com a falta de tempo não consegui provar o famoso Schnitzel. Mas minha melhor memória gastronômica da cidade é o Bolo do Mozart da confeitaria Aida. Um bolo de chocolate super fofinho e, entre as camadas, um recheio de chocolate com pistache. Melhor bolo da vida! Tem Aida em todo canto da cidade e os outros docinhos da vitrine também são incríveis.

bolo-do-mozard

7. Goulash – Budapeste, Hungria

O goulash é um cozido de carne de vaca com farinha, cebolas e molho de especiarias. Em Budapeste, ele lembra uma sopa, já em Praga, é um prato servido com pouco molho e acompanhado de pães. Confesso que tive muito medo na hora de provar. Não entendia o que o cardápio dizia e o nome não parece muito apetitoso, mas se tornou um dos meus pratos favoritos da vida!

goulash

Se conseguiu chegar até aqui sem morrer de fome, parabéns! Essas são minhas comidinhas favoritas. Já provou alguma? Tem alguma #musthave culinário pra me indicar?