Abraçar o mundo

Tenho amigos que amam registrar cada segundo de uma viagem. Carregam consigo câmeras, celulares, baterias extras e olhares aguçados para os melhores ângulos. Outros não se sentem tão confortáveis com o peso da bolsa da câmera e preferem registrar na memória os detalhes. Sou um pouco dos dois dependendo do dia, da previsão do tempo, da viagem e da companhia.

Mas só ter algumas fotos publicadas no Instagram e outras guardadas em infinitas pastas no computador sempre me pareceram pouco. Em um lugar novo, eu não precisava apenas ver para crer, queria tocar, fazer carinho, sentir a textura, cheirar, quase lamber e abraçar para crer. Queria sentir a cidade, o monumento, a obra de arte, tudo na ponta dos dedos.

Antes de ir para Paris, eu acreditava que conseguiria abraçar a Torre Eiffel. Imaginava que sua estrutura de ferro se estendia até o chão e que com meus braços conseguiria escolher uma de suas barras e abraçá-la facilmente. E essa era uma das minhas metas, me grudar em um dos monumentos mais famosos do mundo e em todos os outros que encontrasse pelo caminho.

Infelizmente não tenho noção de tamanhos superiores a um metro e, por ter uma base de concreto que a liga no chão, meu abraço na Torre foi mais desajeitado e nada parecido com o que tinha imaginado.

Mas meu erro me abriu os olhos para uma possibilidade nova de experienciar o lugar. De deixar naquele canto específico do mundo uma marca, da mesma forma com que ver a Dama de Ferro, a estrutura rústica do Coliseu e a leveza de uma ponte me marcava.

Com a ajuda do tato tenho a impressão que os outros sentidos parecem mais verdadeiros. É como se ele te desse uma prova concreta de que aquilo realmente existe e não é fruto da sua imaginação fértil.

Usar o tato abraçando monumentos era minha maneira de comprovar que eu estava ali. Que eu tinha atravessado o oceano, que estava respirando ao lado de anos e anos de História, que os livros não mentiam. Que meus olhos e o coração acelerado não mentiam.

E a cada viagem, o frio na barriga e um formigamento na ponta dos dedos crescia – assim como minha coleção de abraços turísticos. Grudar em cada um deles, sentir sua textura, observar os mínimos detalhes, imaginar os rostos e histórias para cada um que fizeram aquilo possível dava mais sentido àquele monumento, momento e a mim mesma.
Durante o intercâmbio me grudei em doze pontos turísticos e aguardo ansiosamente o resto do mundo.

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